15 de junho é uma data criada pela ONU como forma de reflexão sobre o envelhecimento e as várias formas de violência contra as pessoas de mais idade.
O Brasil já foi considerado o país do futuro, há algumas décadas atrás, por uma série de aspectos como tamanho, localização, produção agrícola entre outros. Além desses, o fato de a população ser relativamente formada por pessoas jovens reforçava essa visão de nação preparada para o progresso. Porém, o tempo passou, o futuro esperado chegou e os brasileiros envelheceram.

Hoje o nosso país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, tem 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Já quando olhamos para o grupo de pessoas com 50 anos ou mais, esse número salta para 62 milhões de indivíduos. Motivo de orgulho para o nosso país, pois mostra também que a expectativa de vida aumentou e, atualmente, está em 77 anos, consequência das políticas públicas, de vacinação e saneamento básico.
Mas tudo isso traz novos desafios para os governos e a sociedade em geral. Um deles é a violência contra a população idosa que vem aumentando nos últimos anos. Por esse motivo se criou a campanha Junho Violeta, que visa a conscientização sobre esse problema.
O dia escolhido para celebrar esse momento é o 15 de junho, que é o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Essa data foi reconhecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2011, buscando dar visibilidade aos abusos contra os mais velhos e que antes não eram vistos ou denunciados mas que atualmente, são reconhecidos como graves violações de direitos humanos.

Assembleia Legislativa de RO
Em Rondônia, os idosos também representam uma faixa etária que necessita de apoio. Isso tem chamado a atenção dos deputados estaduais rondonienses. Por isso, eles aprovaram o Projeto de Lei Ordinária 692/2024 , que autoriza o Poder Executivo a abrir crédito adicional suplementar de R$ 17 milhões para a Secretaria de Estado de Obras e Serviços Públicos (Seosp). Esse valor é para ser empregado na construção do novo Lar da Casa do Ancião São Vicente de Paulo, localizado no bairro Costa e Silva, em Porto Velho.
A nova sede do Lar Casa do Ancião será dividida em oito blocos principais, com infraestrutura planejada para oferecer assistência médica, atividades recreativas e sociais, além de espaços adequados para a reabilitação e o lazer dos residentes. Será um espaço para acolhimento voltado para a terceira idade.

Com o envelhecimento da população se fazem necessários mais investimentos do Estado na saúde pública. Foi com esse objetivo que os parlamentares da Assembleia Legislativa de Rondônia aprovaram o Projeto de Lei 886/2025, que autorizou a abertura de um crédito adicional suplementar de R$ 883.801,66 para o Fundo Estadual de Assistência Social (FEAS).
Uma parte desse valor será destinada ao desenvolvimento social e o fortalecimento da gestão do Sistema Único de Assistência Social (Suas). Isso significa mais investimentos para a melhoria na qualidade de vida de quem atingiu a terceira idade.
Empatia
Sabrina Bianca Oliveira é gerente do Centro de Convivência do Idoso (CCI) de Porto Velho, sendo uma das instituições públicas voltadas para esse público. Ela disse que o local oferece atividades físicas, culturais e de inclusão social para a melhor idade.
A gerente do CCI contou que a violência contra os idosos é uma triste realidade e o agressor nem sempre é alguém distante da vítima. Explicou que, infelizmente, os idosos sofrem agressões que vão além da física.

“Não recebo relatos diretamente. No entanto, sabemos que muitos casos de violência contra idosos acontecem diariamente e, infelizmente, grande parte delas ainda não é denunciada. Por isso, é importante incentivar a conscientização e a busca por ajuda sempre que houver qualquer sinal de abuso ou maus-tratos. Na maioria das vezes, o agressor está dentro do próprio ambiente familiar. Filhos, netos, parentes ou pessoas responsáveis pelos cuidados do idoso podem acabar cometendo abusos. A violência contra a pessoa idosa vai muito além da agressão física. Existem também a violência psicológica, por meio de humilhações e ameaças; a violência financeira e patrimonial, quando o idoso é explorado economicamente; além da negligência e do abandono, que também causam grandes sofrimentos”, afirmou.
O CCI da capital está localizado na avenida Amazonas, nº 6888, Bairro Tiradentes. O telefone de contato é (69) 3901-3388.
Sabrina Oliveira disse ainda que a velhice é uma fase que precisa ser encarada com naturalidade e uma oportunidade que muitos não alcançam. Porém, observou, é um momento da vida que para ser bem vivido necessita de famílias e trabalhadores preparados para lidar com essa população.
“Meu recado é que envelhecer é um privilégio e merece ser vivido com dignidade, respeito e amor. Às famílias e aos cuidadores, peço que pratiquem a paciência, a empatia e o cuidado diário. Aos idosos, digo que vocês são valiosos, possuem direitos e não devem se calar diante de qualquer forma de violência. Procurem ajuda e denunciem sempre que necessário”, finalizou.
Texto: Ivanilson Frazão | Jornalista Secom ALE/RO
Fotos: Arquivo Secom e IBGE
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